quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

JABUTI SOLITARIO.


Valci Barreto


21.40, desci para fazer umas arrumações de alguns livros que estão na garagem, pegar um Proust( que metidez!) para dar uma lida após a arrumação.. Olhei para minha cecisinha amarela, com a cestinha branca , que estava com o pneu vazio, implorando atenções.

A cabeça me futucando: dê uma voltinha, faça-lhe uma caridade!a bichinha ta triste, o tempo está bom, tem revista nova na Banca Cultural...

Atendendo aos apelos, da magrela e do coração, resolvo subir o elevador, pego a bombinha quebra/galho , capacete e desço. Encho o pneu dou uma voltinha na garagem, relutando em enfrentar os motoristas endiabrados, malfeitores , motoboys que assaltam e todos os perigos que nos rondam nas ruas da Bahia. Com a natural relutância, apesar da vontade incontida, peço ao porteiro para abrir a garagem. Com capacete , sandália haviana, saio na intenção de apenas dar uma volta pela pracinha ao lado da Creperia Mariposa, em Ondina.

À medida que vou olhando as ruas, restaurantes e bares movimentados ainda, apesar das ruas vazias, a coragem vai tomando o espaço dos medos e dúvidas. Resolvo encher um pouco mais o pneu na posto em frente aos hotéis de Ondina. Faço isto e sigo para a Banca Cultural, ao lado do Ondina Apart Hotel, que fica aberta 24 horas, para mais uma folheada nas revistas . Alguns policiais fazem um plantão no nas imdiações, a lanchonete ao lado com bastante pessoas; deixo a banca e sigo em direção à minha casa. Mas em vez de entrar no prédio, segui em direção ao Shopping Barra, pela Sabino Silva, Alcanço o mesmo shopping e vou seguindo , pela pista da Centenário, em direção à entrada do Calabar. Entro no primeiro retorno com os carros, como sempre, apesar de poucos e de muito espaço à disposição deles, tiram fino e buzinam dizendo como sempre: "saia da frente” , adentro a rua entre o Shopping Barra e o Bom Preço e sigo em direção à Associação Atlética, passando pelos bares e botecos cheio de gente jovem tomando suas biritas, paquerando, comendo. E lá vou eu.Pego a parte baixa da Princesa Isabel, atravesso a sinaleira, com os bares da região cheios, gente na balaustrada, Praia do Porto bem iluminada e varias pessoas sentadas em cadeiras na areia, tomando banho, coisas inimagináveis , mesmo para nós que moramos nesta Bahia que insiste em acolher a violência, assalto,sujeira, droga e outras mazelas.

Um belo navio, todo iluminando, embeleza a nossa Bahia abrindo-me o caminho para mil fantasias.

Olhando o navio, sem parar,vou pealando tranqüilamente, beijado por um ventinho gostoso do nosso mar, alcançando o Farol, onde se reunia o Clube do Fusca expondo suas preciosidades enquanto as baianas, vendedores de caldo de cana , de coco, atendem a vários turistas que circulam por aquele espaço. Os bares,quando não cheios, estão com bastante fregueses, entre eles o Caranguejo do Farol , Caranguejo de Sergipe e o Barravento.

Após o Barravento, as ruas vazias, alguns turistas , talvez acreditando na santidade baiana, tiravam fotos despreocupados, enquanto, quase em frente ao Clube Espanhol, nas imediações das quadras de futebol e tênis, um casal, visivelmente turista, bem arrumados, ensaiando uma briguinha, dão umas leves cambaleadas atestadoras de umas cervejinhas a mais. Local deserto, não há o que fantasiar de bom e penso: Deus ajude que não passe um daqueles motoboys que saem pelas nossas ruas em busca do alheio.

Alcanço a sinaleira, retorno em frente à Prefeitura da Aeronáutica e sigo a Sabino Silva.

Na Creperia Mariposa, um bom número de cliente, resolvo dar uma esticadinha, no pedal, pela mesma pracinha onde está a Estação Criança e o excelente Restaurante Lisboa. Pedalo por mais 20 minutos, devidamente cronometrado. Após isto, chego em casa, suadinho, certo do dever cumprido e morrendo de vontade de ver outros companheiros de pedal faendo o mesmo, para desvendarmos aqueles segredos das noites da Barra que não são contados nos bares nem dentros dos carros apressados. Conclamo os pedalantes da região para curtimos este tipo de passeio, especialmente nesta semana de Bienal da Une, para onde podemos ir de bicicleta. Mas nada de assistir ao compridos, chatos , desnecessários e improdutivos discussos , notadamente de academicos e politico. Politica e conhecimento sim, lenga lenga demorado, improdutivo, "carimbatico" ou "carbonco", tô fora. Prefiro os livros. Estes ensinam melhor. Muito melhor e sem as vaidades dos "pavões" de sempre.

Vamos ocupar as ruas com nossas bicicletas. Pelo menos para mim, acho bem melhor do que ficar o tempo todo comendo, bebendo ou vendo televisão.
Quem se habilita?

Valci Barreto,
Editor do bikebook.com.br
Colaborador do muraldebugarin.com
20.01.2009

Um comentário:

Itana Mangieri disse...

Eu topo !!!
Se uma simples e singela pedalada dessas gera um texto nostálgico e poético numa noite de verão ..... imagine uma pedalada longa e sem pressa entre amigos num final de semana inteiro !!! heheh melhor programa não existe !!!
Itaninha